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![]() Três líderes mostram que, antes de gerenciar uma equipe, é preciso gerenciar o próprio corpo. Leia abaixo matéria publicada na Revista Você S/A do mês de maio de 2004 (edição 71), na seção: em equilíbrio. ![]() MEXA-SE! O sedentarismo não chega a desqualificar um profissional. Mas as empresas já dão mostras que preferem quem cuida do corpo. Por Daniela de Lacerda Você já pensou que pode perder uma vaga de emprego por ser sedentário? Ou que talvez tenha de abrir mão de uma parte da sua remuneração pelo mesmo motivo? Ou, ainda, que pode descobrir que tenha muito mais chance de desenvolver um câncer simplesmente porque não tolera atividades físicas? Não quero parecer uma atleta xiita (até porque não sou nem atleta), mas todas essas ameaças são verdadeiras. O sedentarismo pode fazer um mal enorme para sua saúde, sua carreira e seu bolso. E cabe a você evitar essas tragédias. O hábito de não se exercitar regularmente é associado em grande parte à doenças crônicas não-transmissíveis, que matam nada menos que 33 milhões de pessoas por ano em todo o mundo - segundo a Organização Mundial de Saúde. Entre os males relacionados ao sedentarismo estão as doenças cardiovasculares e o câncer, as duas maiores causas de morte no Brasil, por motivos de saúde, de acordo com o Ministério da Saúde. Também entram na lista problemas como depressão, obesidade e diabetes. (veja o quadro "Do Hospital para a Academia"). Ah! E quem é sedentário também vive menos: cerce de dois anos e meio perdidos, de acordo com os dados do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), que coordena o programa Agita São Paulo, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde. Seu emprego em jogo Apesar dessa realidade, cerca de 119 milhões de brasileiros não se exercitam regularmente - 70% da população, segundo o IBGE. Se você está nesse time, sinto informar que, além de arriscar sua pele, você estpa colocando em jogo sua carreira. "Há cerca de cinco anos, o sedentarismo não era tema numa entrevista de emprego. Hoje, as empresas procuram olhar o profissional como um todo", diz Paulo Toledo, diretor da Konsult Consultoria em RH, com sede em São Paulo. O fato de ser sedentário dificilmente vai impedi-lo de concorrer a um cargo. Mas pode ser uma questão decisiva. "Praticaratividade física conta pontos, sim", diz a italiana Carla Cico, presidente da Brasil Telecom, a décima segunda maior empresa do país em faturamento. "Desde que seja uma característica somada ao perfil desejado." É fácil entender por que as empresas preferem profissionais que malham. Essa turma gerencia bem o seu principal ativo: o próprio corpo. Além disso, eles produzem mais e faltam menos ao trabalho, de acordo com o Cooper Aerobics Center, nos Estados Unidos, que presta consultoria em qualidade de vida. Tem mais: quem faz a linha atleta costuma reunir características muito bem-vindas ao ambiente corporativo. Determinação e comprometimento são algumas delas. "Se você vence metas dificeis no esporte, pode fazer muito mais na empresa", diz o paulista Luciano Pires, diretor de marketing da Dana, indústria de autopeças com sede em São Paulo. No livro O Meu Everest (ed. Geração Editorial) ele conta como deixou o sedentarismo para caminhar 200 quilômetros até o campo-base da montanha mais alta do mundo. Preguiça custa caro Se tudo isso não o convenceu da importância de se movimentar, vamos falar em dinheiro. O sedentarismo muitas vezes está associado à obesidade. E isso pode significar redução de salário. No início de 2003, agências de notícias internacionais divulgaram que Saddam Hussein, então presidente do Iraque, cortaria pela metade a remuneração dos funcionários do governo e das Forças Armadas que estivessem acima do peso. Pensa que é só lá que algo assim pode acontecer? Nada disso. Estudo da Universidade de Helsinque, divulgado em março, mostra que as mulheres obesas em cargos executivos recebem cerca de 30% menos em relação às mais magras. Mesmo que o corte de salário não seja tão evidente, o sedentarismo e suas conseqüências podem custar caro. Os funcionários com doenças crônicas (muitas delas ligadas a hábitos sedentários) usam mais o plano de saúde. Assim, crescem os gastos da empresa com esse benefício, porque os contratos com as operadoras baseiam-se nos serviços utilizados. Para você ter uma idéia, 20% dos funcionários usam o seguro-saúde freqüentemente. Na hora da conta, esse grupo responde a 80% do custo total do benefício. Isso é uma bolada, já que os gastos com saúde são a segunda maior despesa das companhias, só perdendo para a folha de pagamento. Os números são de uma pesquisa feita no ano passado pela Mercer Human Consulting Resources com 335 empresas e 2 milhões de pessoas (entre funcionários e dependentes). O estudo também mostra que, por causa dos altos gastos com saúde, 37% das empresas pretendem aumentar a participação dos empregados nessa conta. Ou seja, sua remuneração promete sofrer um abalo. E a preguiça é uma das maiores culpadas. Melhor previnir Outra tendência identificada pela Mercer é o investimento na prevenção. Cerca de 80% das organizações estudadas pela consultoria realizam ações preventivas na área de saúde, incluindo o combate ao sedentarismo. Seja para cortar custos, seja para investir na qualidade de vida dos funcionários, seja para aumentar a produtividade, várias companhias vêm estimulando a atividade física. Em 2003, a consultoria Supporte, que faz assessoria esportiva para empresas, registrou aumento de 50% no número de novos clientes. "Há cerca de cinco anos era preciso convencer as companhias da importância desse tipo de ação. Hoje, são as próprias organizações que procuram nossos serviços", diz Valquiria de Lima, sócia-diretora da empresa, com sede em São Paulo. As soluções incluem desde convênios com academias de ginástica até iniciativas inusitadas, como desligar a maioria dos elevadores para que os profissionais usem a escadas, como fez a Brasil Telecom no prédio da sede, em Brasília, com cinco andares (veja o quadro "Eles Dão o Exemplo"). Por meio do Programa Viva Mais, lançado em 2002, os funcionários da empresa treinam para maratonas, fazem passeios de aventura, participam de jogos da companhia e têm descontos em academias. "Nosso objetivo é agregar à empresa valores associados ao esporte, como superação de limites, persistência, ousadia, dinamismo, versatilidade e realização de objetivos", diz Vanderli Frare, gerente de projetos esportivos de qualidade de vida. Ação semelhante é desenvolvida pela AgênciaClick, agência de publicidade especializada em internet, com sede em São Paulo. Todos os anos o presidente da empresa, o baiano Pedro Cabral, elege um motivo diferente para incentivar a prática de atividades físicas. Em 2002, o objetivo era se preparar para uma maratona. Em 2003, o foco foram os esportes radicais, com direito a curso de orientação, treinos e viagens. Neste ano é a vez do ciclismo. "A prática de esportes ajuda a desenvolver o equilíbrio pessoal e profissional, além de criar um clima positivo na empresa", diz Cabral (veja o quadro "Eles dão o Exemplo"). Quando todo esse estímulo não resolve, o jeito é usar elementos mais convincentes. Foi o que fez o Grupo Algar, em 2002, quando criou o Programa de Desenvolvimento Individualizado da Saúde. Dirigido aos 220 executivos da organização, o programa condicionou 20% do bônus à mudança de hábitos físicos e alimentares (veja o quadro "Quanto Vale um Abdominal"). Todos atingiram as metas e a companhia não vai mais vincular os bônus à avaliação médica. Mas continuará incentivando o check-up e a prática regular de atividades físicas. "Nos próximos dois anos, esperamos atingir 90% dos 10 500 funcionários", diz Cícero Penha, diretor de talentos humanos. Para sair da inércia, você não precisa (nem deve) esperar sua empresa implantar uma ação de combate ao sedentarismo. Se já existe, ótimo. Caso contrário, encontre uma atividade que lhe dê prazer e comece já. "A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 30 minutos de atividades físicas por dia", diz Douglas Andrade, vice-presidente do Celafiscs. E o melhor é que você pode dividir essa meia hora em três sessões de 10 minutos, por exemplo. Vale caminhar, praticar esportes, dançar, enfim, qualquer atividade que movimente seu corpo e o faça gastar mais energia. O importante é consultar um especialista e manter a regularidade. Leia-se: nada de se matricular na academia para aliviar a conciência e, depois, nunca mais pisar lá! Que vença o mais saudável Custa acreditar que há cerca de três anos o paulistano Eduardo Campos de Oliveira era um sedentario convicto. Aos 30 anos, gerente de estratégias de mercado da Microsoft, ele corre, nada, pedala e ainda faz musculação. Treina de 2 a 3 horas por dia, incluindo o final de semana. Depois de participar de várias maratonas, Campos se prepara para o Ironman, principal prova de triatlo do mundo - são 3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 42 de corrida. O que isso tem a ver com trabalho? Tudo. "O esporte mudou minha percepção de limites. Agora, sei que nada é impossível", afirma Campos. Segundo ele, a prática de atividades físicas também desenvolveu sua capacidade de planejamento e administração de tempo. Tem mais. "Perdi 12 quilos, ganhei massa muscular e me sinto bem mais disposto", diz. Além disso, ele ampliou seu networking. Tudo isso, claro, valorizou seu passe. "O fato de praticar esportes pode desempatar uma seleção. Profissionais com esse perfil são mais saudáveis, lidam bem com adversidades e correm atrás de seus objetivos", afirma. UM DIA TÍPICO - das 6 às 7 horas - Ciclismo ou corrida - das 7h30 às 8h15 (às segundas e quintas) - Musculação - das 9 às 20 horas - Trabalho* - das 20h30 às 21h30 - Natação * com intervalo para almoço Do hospital para a academia Desde a adolescência o paulistano José Armando Figueira, de 39 anos, brigava com o excesso de peso. Diretor da PricewaterhouseCoopers, em São Paulo, ele chegou a ter mais de 100 quilos, com 1,75 metro de altura. Obeso, sedentário e diabético, Figueira passou por maus bocados em 2000, quando tinha 36 anos e enfrentou uma cirurgia no intestino. O complicado pós-operatório terminou levando-o a outras duas cirurgias e sete meses de licença. "Meu estado se agravou por causa da minha condição física", diz Figueira. Algumas semanas após voltar ao trabalho, ele se matriculou na academia. Hoje, são cerca de 4 horas de exercícios, todo santo dia, sob a orientação de personal trainers. Resultado: Figueira perdeu 30 quilos em um ano e a balança nunca marca 72 quilos. "Por causa da atividade física, também venho controlando a diabete e foi possível reduzir a medicação", afirma. O saldo positivo se refletiu no trabalho. "Meu dia rende mais e passei a lidar melhor com a pressão no dia-a-dia profissional. Antes, eu chegava em casa em estado estressado e comia uma pizza. Agora, vou correr", afirma Figueira. UM DIA TÍPICO - das 6 às 7 horas - Natação - das 8 às 18 horas - Trabalho* - das 19 às 20 horas - Musculação - das 20 às 21 horas - Bicicleta - das 21 às 22 horas - Esteira * com intervalo para almoço Quanto vale um abdominal? A mineira Marina Cavalcanti Monteiro Mendes, de 35 anos, nunca tinha se matriculado numa academia. Em 2003, no entanto, ela se viu às voltas de um desafio surpreendente: começar a malhar ou perder os 20% do seu bônus salarial. Especialista em recursos humanos na CTBC, empresa de telecomunicações do Grupo Algar, Marina foi uma das selecionadas para participar do Programa de Desenvolvimento Individualizado da Saúde. Ela passou por uma avaliação física e recebeu as seguintes missões: aumentar a resistência, equilibrar o colesterol e a taxa de gordura. Para tanto, Marina se comprometeu a seguir uma dieta mais saudável e praticar atividades físicas. Dito e feito. Um ano depois, ela comemorou uma redução de 37% no mau colesterol e um aumento de 34% no bom. Diminuiu o percentual de gordura em 25% e dobrou a capacidade respiratória. No mês passado, o esforço foi recompensado pelo contracheque, com o pagamento do bônus total. E mais: Marina não se imagina mais na vida sedentária de antes. "O programa me fez dar o primeiro passo. Agora, não paro mais", afirma a executiva. UM DIA TÍPICO - das 6h45 às 7h45 - Academia - das 8h40 às 18h50 - Trabalho* - às 19 horas - Pegar os filhos na escola - das 20 às 22h30 - Trabalho voluntário (uma vez por semana) * com intervalo para almoçar, levar as crianças na escola e ter aula de inglês duas vezes por semana |
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