Isobar quer virar agência de negócios  ·  17/9/2007


A rede Isobar, braço digital do grupo inglês Aegis PLC, vai aumentar a sua atuação na América Latina com a aquisição de novas empresas e crescimento das suas próprias agências, inclusive da AgênciaClick, que foi comprada recentemente. A nova vice-presidente de estratégia ao consumidor da Isobar para a América Latina, Claudia Colaferro, explica nesta Entrevista que o objetivo da rede é se tornar uma agência de negócios do anunciante.
por Kelly Dores

Qual será a sua principal função à frente da vice-presidência de estratégia ao consumidor da Isobar para a América Latina?
A idéia da Isobar é formar um núcleo pensante sobre o consumidor. Entender de forma completa o consumidor da região e oferecer a melhor solução para o anunciante. Independente da ação, que pode ser desenvolvida pela Isobar (braço digital do Aegis) ou por outras empresas do grupo, o importante é descobrir os hábitos desse novo consumidor com quem as marcas querem tanto ter um diálogo.

Como a Isobar vai desenvolver a prática de "consumer centric" na região?
Essa é uma prática muito comum nos mercados europeu e americano. Significa que a partir do entendimento do consumidor é que as coisas acontecem. Não se trata de uma solução simplista de comprar uma mídia e desenvolver uma campanha de massa, apenas. O foco é estabelecer um diálogo com o target da marca. O meu desafio é exatamente o de coordenar o desenvolvimento dessa cultura junto às redes de inteligência do consumidor em cada operação do grupo. E a melhor forma de fazer isso é trocando informação com as agências do grupo mundial, que funciona muito bem. Aliás, foi o que mais me atraiu na rede Isobar, que tem empresas no Brasil, México e na Argentina com a Carat. Porém, elas não estão necessariamente prontas para fazer o que imaginamos.

Isso quer dizer que o grupo vai fazer novas aquisições?
Vamos ter movimento tanto para crescer internamente com a contratação de profissionais como aquisição de novas companhias nesses mercados. Também estamos falando em estabelecer pelo menos dois pólos nos Estados Unidos, além do Chile que é um país muito moderno em termos de utilização de mídia.

Há projetos de expansão da rede especificamente no Brasil?
Sim, pois a Isobar tem uma empresa com uma atuação muito forte em campanhas online no Brasil, que é a AgênciaClick, mas não temos outras soluções de comunicação. Já no México, a agência é focada em mídia offline. A combinação dentro do grupo não é homogênea. A minha base será na AgênciaClick, mas vou atuar em todas as agências da rede.

Você assume essa nova área com perspectiva para conquistar quais mercados?
O desafio é falar com os consumidores de língua portuguesa e hispânica. Por isso interessa abrir escritórios nos Estados Unidos, onde a comunidade hispânica e brasileira é grande. Além disso, é um público com hábitos muito diferentes do americano.

Qual a melhor forma para abordar o consumidor hoje?
Temos uma metodologia na área que chama AAS (Advanced Advertising Solutions). O entendimento é que depois de conhecer profundamente o consumidor, sabemos quando e a melhor maneira de abordá-lo. Esse diálogo é muito rico para a marca, porque o consumidor permite essa conversa. Há uma troca, ele nos dá informações e vice-versa. A gente parte do pressuposto de que uma conversa é sempre positiva e a tecnologia deve ser utilizada para trazer esse benefício. Caso contrário, você faz um marketing negativo.

A interatividade traz esse benefício então?
Acho que a interação é a forma mais justa e aberta de estabelecer uma conversa com o consumidor. A internet e o celular trazem essa possibilidade e, logo, a televisão também, com a chegada da TV digital. É importante ressaltar que o consumidor, principalmente o jovem, está muito à frente em termos de utilização de mídias, ele usa da forma que quiser. Hoje, as agências não pegam mais o jovem em meios tradicionais. A gente pensa que está atingindo, mas existe uma evasão desse público. Os blogs são um bom exemplo de como o consumidor expressa os seus hábitos e não necessariamente eles mantêm um diálogo com alguma marca.

Como transpor a sua experiência no marketing de anunciantes como Motorola e Coca-Cola para o Isobar?
O objetivo do grupo é ser um parceiro estratégico do anunciante. Isso não significa oferecer apenas uma solução de mídia ou a criação de uma campanha. E sim pensar junto o negócio do cliente. O meu desafio é entender o consumidor e pensar numa solução melhor para o cliente que eventualmente pode não estar dentro do grupo, mas que vamos recomendá-la. Diante dessa nova proposta do Isobar em querer se estabelecer como uma agência de negócios do cliente, minha experiência dentro das empresas vai ajudar no sentido de encontrar o melhor caminho.

E que soluções são essas?
Pode ser desde uma ação de comunicação, tecnológica ou até de logística. A proposta é de entrega de um trabalho sobre um entendimento estratégico do consumidor comum. O maior desafio das marcas é esse, pois o consumidor está mudando muito os seus hábitos.

A adoção do "political consumer" é o melhor caminho para que agências e anunciantes acertem na comunicação com o seu público?
Acho que sim. O importante quando uma marca quer estabelecer um diálogo com o consumidor é saber que tipo de informação realmente interessa a ele. O meu desafio é enorme, pois não existe um livro, uma bíblia que ensine como transformar um grupo de comunicação em uma agência de negócios do cliente.

Diante desse novo cenário da comunicação com o surgimento da interatividade, quais serão os principais impactos do ponto de vista do consumidor?
O consumidor, principalmente o jovem, já se habituou a essas mídias digitais. Com a chegada da TV digital, a penetração será muito maior. Essa nova tecnologia, usada da forma correta, vai beneficiar toda a cadeia, desde que o conteúdo seja relevante ao público das marcas.





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